Classe de Pintura – Benjamin Moreh – 2014

Classe de Pintura

Bruno Miguel é pintor.
Mas antes de ser artista, Bruno Miguel já era professor, desde o quinto período da faculdade de licenciatura Bruno leciona. Hoje em dia não dá mais aulas de educação artística para crianças e adolescentes, atualmente tem uma turma avançada de pintura na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tradicional formadora de artistas de destaque nas últimas décadas.
Neste projeto, os dois perfis se assumem claramente complementares. Por trás da simplicidade das obras, se revela uma pesquisa da pintura como linguagem expandida, como pensamento. Cada conceito nessa apresentação é um desdobramento do atelier e da história.
Esse entendimento da pintura como linguagem híbrida, fluída, é o que torna impossível limitá-la à tradição e antigos dogmas. A pintura contemporânea tem vocação para o protagonismo desde que entenda suas interfaces com outras linguagens.
Em “Classe de Pintura”, Bruno parte da contradição de expor sua pesquisa talvez menos estética, mais institucional e experimental em uma feira de arte. Obras como as da série “Restauração” em que pratos e azulejos quebrados serão “consertados” com tinta a óleo branca grossa, começaram a ser realizadas no atelier, mas só alcançam sua potência no enfrentamento com o local onde estão sendo expostas, uma feira com poucos dias de duração. A obra será apresentada com a tinta literalmente fresca (e assim permanecerá até o fim da mostra).
O gênero de pintura escolhido como foco nos últimos anos por Bruno Miguel é a natureza morta, exercício obrigatório nas academias, historicamente bem representada pelos grandes mestres. Pratos, azulejos, garrafas, cinzeiros, tigelas, copos, enfim, todo o repertório já imortalizado nas composições do gênero, aqui se tornam antagonistas à ação da pintura. A tinta, a forma, os procedimentos, mesmo que aparentemente, pareçam esculturas, desenhos ou objetos, neles o artista apenas enxerga exercícios de pintura. Bruno Miguel convida os alunos e os espectadores a enxergar essa pintura não pintada, a partir de seu olhar.

Benjamin Moreh